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segunda-feira, 2 de dezembro de 2019

NÃO VIVO O MEU PARAÍSO

MAS GOZO O SÉTIMO CÉU,
SE NÃO TENHO O QUE PRECISO
INVENTO A MINHA BORNÉU.

(ESCRITORTERCIO)





























SUFICIENTE?
TÉRCIO STHAL

Ouvidos atentos.
Olhos bem abertos.
Boca que se abre ou se fecha.
Olfato sempre aguçado.
Pele que ainda arrepia.

Pernas que se movem.
Braços estendidos ou não.
Cérebro-língua a degustar.
Mãos espalmadas ou não.
Palmas para os pés no chão.

Sol. Chuva. Fogo e Arco-íris.
Nuvens. Raios. Estrelas cadentes.
Folhas-húmus. Flores e frutos.
Pão na mesa brotam de sementes.
Talheres apropriados ou não.

Gratidão de Igreja nas casas.
Guarda-sol e Guarda-chuva.
Lupa, caneta, luz, presente.
Tiro certo bem no alvo.
Colheita apropriada e suficiente?



IDENTIFICANDO
TÉRCIO STHAL

Permita
Que o outro seja
O outro.

O outro
Jamais será
Você.

Tolere
Mas não se omita.
Seja quem você é.

Você
Jamais será
O outro.

O chapéu do outro
Pode não caber
Na sua cabeça.

O seu sapato
Pode ser que não sirva
No pé do outro.

Viver em paz
Não quer dizer
Andar de cabeça baixa.

Você e o outro
Vez por outra "metem
Os pés pelas mãos!"



QUAL A MOTIVAÇÃO?
TÉRCIO STHAL

Quantos motivos se tem
para decifrar o enigma
do branco papel
e do papel em branco,

onde se deve ou não escrever
até mesmo antes de exercitar
pretensa caligrafia?

Ante dúvidas e incertezas
que apontamentos fazer?

Quais signos utilizar para descrever
o que se imagina sentir e saber?

Como manter distância
de súbitos e prévios interesses
individualistas e excludentes?

Como não sucumbir
palidamente seco
ou desesperadamente louco

diante de laudas e laudos,
provas e contraditórios,
que se baseiam em
informações e indícios forjados?

Como alienar-se
e ser absolutamente só
se interdependência
é condição sem a qual não?

Como ir até a morte sem desejar,
ainda que por breve momento,
Intensamente a vida?


sábado, 31 de agosto de 2019

LÚCIDO:

SINTO-ME COMPLETAMENTE NU.
A LÍNGUA DO VENTO ME LAMBE TODO.
MEU UMBIGO CAMINHA POR TODO O CORPO.
NÃO HÁ CÉREBRO NEM CORAÇÃO QUE AGUENTE.

(ESCRITORTERCIO)























DO CENTRO PARA FORA
E DE FORA PARA O CENTRO
TÉRCIO STHAL

Dizem que o mundo e a roda giram
com sentido e direção,
mas quando os lados degringolam
com razão o centro cede.

A virgem que se apaixona
Inocentemente se afoga.

Ora a maré é alta, ora é baixa.
Quantas revelações virão?

Ora homem, ora touro, ora leão.
Ora águia em seu sobrevoo.

Ora sombras, ora escuridão.
Ora o brilho do Sol a pino.

Ora pedra bruta a ser lapidada.
Ora vago olhar no horizonte.

Ora vista turva e perturbada.
Ora criança mimada em seu berço.

O mundo e a roda giram.
Mudam tempos e estações.

À luz do Sol, da Lua e das Estrelas
a inocente criança envelhece.

Da virgem pura e santa:
Apenas vaga lembrança.

Dos arroubos de outrora:
Ora saudade, ora arrependimento.



MEUS ÓCULOS
TÉRCIO STHAL

Quem disse que meus óculos
fazem enxergar bem,
não entende de óculos,
nem de visão.
Tem apenas ponto de vista.

Eles são ótimos para mim,
mas não servem para outras pessoas.
E dentro do estojo

os meus óculos, nem o estojo,
enxergam absolutamente nada.



ALMA DE ARTISTA
TÉRCIO STHAL

No dia em que saí de casa
minhas roupas eram o meu casulo,
mas quando se despedaçaram
meu corpo nu, apesar de livre e solto,
sentiu-se absolutamente só.

Por um instante apenas
meu corpo rejeitou o seu estado,
pois minhas asas falaram mais alto,
minha alma de artista mostrou a luz

e o horizonte a ser conquistado.



TERMOS E ARREMATES
TÉRCIO STHAL

Bailavam as lágrimas em meu rosto,
como se ele fosse um salão de festa
e circulavam celeremente,
como se em total descontrole.

Meus olhos,
meus termos,
meus arremates:
Compensar.



EU E MEU AVATAR
TÉRCIO STHAL

O meu "Avatar" resolveu falar comigo,
mas eu nem me toquei.

Então ele disse:
- "Cara, eu sou seu amigo!"

Mas o que ele queria comigo
eu ainda não sei.


domingo, 3 de março de 2019

QUASE SEMPRE FINGIMOS

























SER NORMAIS,
MAS A NORMALIDADE
NÃO NOS SATISFAZ,
NEM NOS CONDUZ
À CONDIÇÃO DE IGUALDADE.

(ESCRITORTERCIO)



UM E OUTRO DIA
TÉRCIO STHAL

Num dia, na estrada sem saída
sob a mira do inimigo.
No outro, fluidez de movimentos e domínio 
de tempos e dos espaços.

Num dia, ilustre desconhecido 
na bacia das almas, sem resgate.
No outro, dono do mundo, dos cavalos, 
cavaleiros e sangue alheio.

Num dia, encarcerado,
sem previsão de soltura.
No outro, no camarote ou no palco, 
a dizer, livremente, qual o tom.

Num dia, semimorto 

na areia da praia.
No outro, em alto mar,
em corajosa travessia.

Num dia, mendigando nas esquinas 
e dando com a cara no muro.
No outro, domando as feras, 
como quem sabe o que faz.

Num dia, resignação,
portas e janelas fechadas.
No outro, cultivando, cultuando
e colhendo os frutos do plantio.



NÃO ME ENTREGO
TÉRCIO STHAL

Apesar de não pensar em mim primeiro,
nem no fim eu me entregarei por inteiro.

Não quero ser da água limpa o último gole,
nem o orgulhoso assoprador do último fole.

Prezo o que há de bom e melhor em mim,

não entrego minha alma. Nunca. Até o fim.



MOLHANDO O BICO
TÉRCIO STHAL

Depois de recitar 
dois ou três poemas
em alto e bom som, 
nada pode ser melhor
do que "molhar o bico".

 Afinal, "ninguém é de ferro!"

Depois de beber 
um litro e meio de Vodka
como ajustar a imagem ao espelho?

"Espelho, espelho meu,"
quem sou eu?

Depois de beber
um tanto e outro tanto 
como garantir um bom desempenho?

"De onde vim e para onde vou?"



VIDA E ESPERANÇA
TÉRCIO STHAL

Se o tempo for
de "vacas magras"
ou se for "bicudo",
trago comigo
e espero que tragas
vida e esperança
mais do que tudo.



O QUE CONVÉM?
TÉRCIO STHAL

Em pé de cabra 
convém calçar 
sapatilha de veludo?

Em pé de anjo
convém calçar
sapato de chumbo?

Se vem o pé-de-vento
onde se esconde a brisa?

Convém calçar 
pantufas em pé-d'água?

Convém calçar
sandalinha de cristal
em pé de chumbo?

Por que calçar chinelo
em pé de guerra?

Quem tem cabeça
- e a utiliza -
morre em pé ou vive em paz?

Como deve ser:
Da cabeça aos pés ou dos pés à cabeça?