Mostrando postagens com marcador Bichos soltos. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Bichos soltos. Mostrar todas as postagens

terça-feira, 11 de fevereiro de 2020

ÀS VEZES A BOCA DO ESTÔMAGO

PARECE SOFRER COM DOR DE DENTES
E LANÇA CHAMAS QUE CHEGAM
ATÉ A PONTA DA LÍNGUA DA GENTE.

(ESCRITORTERCIO)























XÔ ASSOMBRAÇÃO!
TÉRCIO STHAL

Dizem que o caboclo
tocava o berrante noite e dia
para espantar o lobisomem marrom...

Na casa mal assombrada
da fazenda à noite se ouvia
fortes batidas do monjolo; bate-pilão...

Creio em Deus-Pai!
Ave Maria!
Xô assombração!



VIVEM OS POETAS?
TÉRCIO STHAL

Em dias de chuva
Quantos poetas
Se molham?

Em dias de Sol
Quantos poetas
Se queimam?

Em dias comuns
Quando a chuva
Nem o Sol
Mostram suas caras
Quantos poetas vivem?



NARIZES DE PALHAÇOS
TÉRCIO STHAL

Chove copiosamente
Narizes de palhaços...

Ao som de Ópera-bufa
Crupiê arremata arrecadação.

Na praça, em evento aberto e livre,
Clown resgata a sua performance...

Caretas por gomas de mascar:
Cambalhotas e pirulitos para sobreviver.

Passa chapéu, tilinta as moedas...
A vida passa, faça chuva ou faça sol!

Chove copiosamente
Narizes de palhaços!



PARA QUEM TEM FÉ
TÉRCIO STHAL

Mar que abre e fecha,
Passa por ele a pé
Quem tem fé e sabe

Aproveitar a brecha.

Maná, Mané,
Só cai do céu
Quando o céu quer.



COELHO DISTRAÍDO
TÉRCIO STHAL

Quando um coelho
Distraidamente entra
No ninho das serpentes
Suas orelhas parecem

Maiores do que são.



O EFEITO DO “MINDUIM”
TÉRCIO STHAL

Yoshito e Mitico
Na “Excora” veio.

“Xemana” toda
Mitico “canxada”
Yoshito de “xaco” cheio.

No fim de “Xemana”
“Comero” tanto “minduim”
“Deixaro” o “xaco pro” meio.

Na “Xegunda-Feira”
Yoshito e Mitico
Na “Excora num” veio.


terça-feira, 8 de setembro de 2009

MAIS FÁCIL DO QUE PRENDER O GUIZO,





























É DAR BELAS LUVAS PARA O GATO.
QUEM PODE, MANDA, OBEDECE QUEM TEM JUÍZO,
MAS GATO DE LUVAS NÃO PEGA RATO.

(LA FONTAINE/RONDEL/FRANKLIN)




PALÁCIO DOS BICHOS
TÉRCIO STHAL

Era uma vez um grande Cachorro,
Em seu Palácio no alto do morro,
Palácio chique, bem diferente,
Só tinha bichos, não tinha gente.

O grande Cachorro, todo elegante,
Mandava em todos, era arrogante,
Os gatos, de pronto, o obedeciam
E os ratos, a correr, se escondiam.

Assim era a vida no belo Palácio,
A convivência era nada fácil.

O Cachorro comia e bebia de tudo,
E cada dia ficava mais barrigudo,
Os gatos comiam só o que sobrava,
Nem para matar a fome e a sede dava.

Aos ratos sobravam só as migalhas,
e eles não podiam cometer falhas,
Os nacos de queijo em ratoeiras,
E outros em posições traiçoeiras.

Assim era a vida no Palácio,
A convivência era nada fácil.

Os ratos tramavam por guizos nos gatos,
E os gatos ensaiavam encantoar os ratos,
O grande Cachorro a tudo assistia,
E dava risadas, com grande alegria.

O projeto dos guizos nunca deu certo,
Os gatos, de fato, eram muito espertos
O grande Cachorro alertava os gatos:
Cuidado com o movimento dos ratos.

Assim era a vida no belo Palácio,
A convivência era nada fácil.

Pequenos acordos e grandes negócios,
No Palácio os bichos viraram sócios,
A manter sempre a grande correria,
Para passar o tempo e ganhar o dia.

O grande Cachorro mantendo os gatos,
E os gatos fingindo caçar os ratos,
Os ratos fingindo estar com medo,
A correr pelo Palácio desde cedo.

Assim levam a vida no belo Palácio,
Os bichos soltos de vida fácil.


sexta-feira, 17 de abril de 2009

QUEM DÁ O TAPA























E ESCONDE A PATA
OU ESCONDE A MÃO,
PARA NÃO SER VISTO O FAZ,
OU PARA PRODUZIR A ILUSÃO
DE QUE NÃO FARÁ JAMAIS.

(ESCRITORTERCIO)




LUVAS DE PELICA
TÉRCIO STHAL

Puá é um lindo gato e gosta de usar luvas,
luvas especiais, luvas finas, luvas de pelica.

Puá é da família de Xeno. Xeno é o gato de
orelhas grandes e olhos esbugalhados, se
parece com um a lebre, mas não é. Puá e
Xeno são parentes do Gato de Botas.

Puá não é um gato qualquer, extrema é a
sua habilidade, sabe se esquivar muito bem,
sabe se esquivar como ninguém, na hora
certa e, quando bate, sabe bater com muita
classe, com categoria de um profissional.

Puá não é como a maioria dos gatos, bate e
não precisa suas patas esconder, porque as
pata de Puá estão sempre dentro de belas
luvas de pelica.

Puá nunca teve uma só unha quebrada, suas
patas estão sempre bem protegidas, e sei
que ninguém faz ideia de quão grandes e
afiadas são as suas unhas.

Puá nunca esconde suas luvas de pelica, e até
mesmo que apanha dele, o elogia; Puá é um
gato de muita categoria, de muita classe, é um
gato classe A.

Puá não por costume sujar suas unhas em um
rato qualquer e a bem da verdade nem de 
ratos ele gosta.

Puá tem asco de ratos e seu lema sempre foi:
'Quem com ratos se envolve, bem os merece'. 
Mas se Puá tiver que bater em ratos usará as
suas luvas de pelica para não sujar suas patas.

Até mesmo o Gato de Botas, do alto de seu 
cavalo de madeira finíssima, não se cansa de
admirar e elogiar a fineza, o estilo e a classe
de seu parente e amigo Puá.


sábado, 28 de março de 2009

O MELHOR QUE AS ORELHAS TEM A FAZER,
























É AOS BONS OUVIDOS PROTEGER.

(DITADO POPULAR)




NEM GATO, NEM LEBRE
TÉRCIO STHAL

Xeno era um gato diferente, nasceu com 
grandes orelhas e olhos esbugalhados, 
quando ele era pequeno o confundiam
com as lebres. Até as lebres pensavam
que Xeno era um de seus filhotes.

Xeno foi crescendo, crescendo, e as suas
orelhas também, e seus olhos, a cada dia
ficavam mais esbugalhados. Não parecia
ser um gato, parecia ser uma lebre; Mas
Xeno nunca foi, nem é uma lebre.

Xeno, apesar de ter o instinto de gato, não
tinha aparência de um gato. Os gatos não 
o aceitavam como gato, e, apesar de ter a
aparência de uma lebre, as lebres tinham 
receio de aceitá-lo como lebre.

Xeno não vive uma vida normal; nunca foi
nunca foi tratado como um gato, e em lebre
nunca se transformou. Xeno ainda não sabe
o que de fato ele é. A verdade é que por ter
nascido diferente, Xeno nunca foi tratado
como diferente, e isto faz ele sofrer muito 
por ser diferente. 

Ser diferente entre os que se assemelham
parece se constituir em crime sem perdão e
com castigo cruel que pode durar por toda a
vida.

E Xeno, melhor do que ninguém, que o diga!


sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009

TODO SANTO POSSUI A GRAÇA

























DE LEVAR A SÉRIO A VIDA,
BEM MAIS DO QUE SE DEVE.
E A VIDA NÃO FICA LEVE.
AO CÉU LIGEIRO PASSA,
POR AMOR E POR FÉ SENTIDA.

(TS - PARAFRASEANDO OTTO MARIA CARPEAUX)



QUASE SANTO
TÉRCIO STHAL

Pitoco era um cãozinho diferente, ele não tinha rabo.
Pitoco era o cãozinho de estimação da Bia, 

e ela gostava muito de seu cãozinho.

Pitoco era amável com todo mundo, raramente latia, 

raramente rosnava, e tinha por hábito ir sempre 
à Igreja com sua dona.
 

Os outros cães ficavam do lado de fora a esperar 
por seus donos, mas Pitoco não; entrava na Igreja, 
assistia aos cultos sem fazer barulho e sem atrapalhar 
o sermão. Ele não cantava porque não sabia cantar, 
mas mexia a boca como se estivesse cantando.

Num domingo, lá do púlpíto, o pastor disse:

- Sede santos, porque eu Sou Santo, 

assim diz o Senhor!

E os membros, com as "caras" redondas e baixando 

levemente as cabeças e as pálpebras e a demonstrarem 
reverência, responderam:

- Amém, amém!

Enquanto isso, Pitoco apenas olhava para uns e outros 

e mexia as orelhas.

Aos domingos Pitoco costumava acordar cedo 

e punha-se a latir para acordar a Bia e seus pais. 
E então, começava a correria. A escova, a pasta, 
a barba, o banho, a roupa, o terno, a gravata, o nó, 
o vestido, o sapato, as sandálias, o gel, o creme, 
e a pressa. Um resmunga daqui, outro resmunga 
dali, e ninguém se entende. Mas Pitoco só a olhar 
para um e para outro e a esperar pela hora de ir.

Num desses domingos, depois da correria, 

ao chegar na Igreja e Pitoco colocar-se em 
seu lugar preferido, assentado sobre as patas 
traseiras, bem à frente de sua dona, ouve o 
sermão em que o pastor diz:

- Amai a Deus sobre todas as coisas, 

e ao próximo como a si mesmo!

Neste momento, Pitoco flexiona a cabeça e olha 

fixamente para Bia, como se estivesse a falar 
do seu amor por ela e a cobrar, dela, a mesma 
atitude.

Então, ela responde:

-Amém! Amém!

E o pastor continua a fazer o seu sermão seu sermão:

- De ninguém falai mal, porque disto 

Deus não se agrada!

Nesta hora, os membros da Igreja se aquietam, 

num silêncio de espantar. Ninguém se atreve a olhar 
para o lado, e um ao outro não que encarar. Mas Pitoco 
que nunca falou mal de ninguém, embora alguns, dali, 
dele já tivessem falado mal. Pitoco nunca revidou, 
considerava como águas passadas, talvez por isto,
entre outras coisas, hoje todos o admiram e 
fazem questão de dizer que gostam muito dele.

Naquele dia, porém, Pitoco, ao sair da Igreja, 

foi atropelado por um veículo que trafegava 
em alta velocidade, e, no mesmo instante, morreu. 
Todos os membros da Igreja choraram a sua morte 
e naquele mesmo dia fizeram o seu enterro. Mas
nunca esqueceram do cãozinho Pitoco.

Todos sentem a falta que ele faz, seu lugar está vazio; 

os membros da Igreja dizem até que Pitoco era crente 
e que se cães herdarem o céu, ele, com certeza, estará
entre eles.
 
Mas apesar de Pitoco ser considerado quase um santo,
por ter frequentado uma Igreja Protestante, 

nunca buscaram saber se durante a sua vida de cão 
ele tenha feito algum milagre. Nunca mandaram para 
o Presidente Nacional das Igrejas o Pedido para sua
Canonização.


MORAL DA ESTÓRIA:

Cachorro bom, mas sem manto,
era o cachorrinho Pitoco,
nunca se fazia de santo,
nem era santo do pau oco.



segunda-feira, 14 de julho de 2008

A ARANHA JOGA SUA TEIA

























DE SORTILÉGIO E DE CIÊNCIA
NO DESERTO VÁRIO DO DIA.

(LEDO IVO)



O ESPELHO RASO
TÉRCIO STHAL

Não por acaso,
O olho que vê
Ao espelho raso
O olho que não vê,
Vê a aranha a construir
Sua teia para atrair
E, premeditadamente, matar
A distraída mosca em seu voar.

Não por acaso,
O olho que vê
Ao espelho raso
O olho que não vê,
Vê o debater da mosca
Diante da aranha e de seu olhar
Tentando, heroicamente, escapar
Da morte horrenda e tosca.