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quarta-feira, 6 de setembro de 2017

A VIDA ESTÁ DISPONÍVEL!

VIVA! E VIVA BEM!

VIVER BEM
É IMPRESCINDÍVEL!

(ESCRITORTERCIO)





 
















LUZ E SOMBRAS
TÉRCIO STHAL

Quem não sabe a razão
que motivo tem para viver?

A vida seca
para quem perde a sede.

Quem não sabe o caminho
que verdade encontra?

A luz não serve
para quem tapa os olhos.

Que perspectiva tem
quem prefere a prisão?

Quem não corre riscos
ainda que calculados
vive só de rabiscos
muito mal rabiscados.



EU, CRIANÇA
TÉRCIO STHAL

Eu ainda sou criança,
sei sorrir e sei chorar.
Com ou sem motivo aparente
brinco e brigo permanentemente.
Não perdi a esperança.



EI, GEORGE!
TÉRCIO STHAL

Ei, George,
em qual canto do mundo
Você jogou
aquele belo quadro
que Você pintou?

Até a pena, George,
com a qual Você
escrevia tão bem
com tanta pena de Você,
George,
pra bem longe voou.

O pavio da vela, George,
que Você acendia
para o seu Santo preferido,
há muito tempo
se apagou.

E o Santo,
meu caro amigo George,
para quem Você rezava 

com tanta fé,
a onda do Mar levou.



sexta-feira, 2 de junho de 2017

NO ESPAÇO ENTRE SER E NADA,

A MADRUGADA PARA SABER
ONDE TUDO COMEÇA
E ONDE TUDO ACABA.

QUE PODE SER, 
SE É QUE INTERESSA,
NUMA NUVEM SONHADA.

(ESCRITORTERCIO)



















NÁCAR
TÉRCIO STHAL

Reação meramente natural
a partir da dor interior
contra os que invadem 
sem permissão.

Calcário e aragonita,
conqueolina e água, a compor
a verruga que vira pérola:
Eis o cenário.



MÁQUINA SINISTRA
TÉRCIO STHAL

- Maquinista, 
o que faz a má-
quina?

- Se engatada,
leva os vagões 
aos melhores lugares
que avista,
não age como maluca.

Os trilhos são sua trilha.
Os trilhos são sua pista.

Mas quando descarrila,
dos vagões ouve
reclamações,
entretanto não retruca.

- Nossa,
que má-
quina
sinistra!



"CADÊ"
TÉRCIO STHAL

Onde foi parar o meu bilboquê?
Onde está o meu pião gira-gira?
Onde estão as minhas bolinhas de gude?

Minhas festas caipiras "cadê"?
Onde foi parar a minha lira?
Onde está a água limpa do meu açude?



terça-feira, 24 de agosto de 2010

ENSINA A CRIANÇA



















NO CAMINHO EM DEVE ANDAR
E ATÉ QUANDO FOR VELHO
NÃO SE ESQUECERÁ DELE.

(BÍBLIA SAGRADA)



EDUCAÇÃO
TÉRCIO STHAL

É preciso ensinar
A criança a brincar,
A conhecer as regras
E as cumprir,
Sem burlar,
Sem infringir,
A perder e a ganhar.

Mas não adianta só falar,
Mais importante é agir,
Bom exemplo ofertar
Para que ela possa seguir.



sábado, 10 de outubro de 2009

O DIA DAS CRIANÇAS, NO BRASIL,



























FOI IDÉIA DE GALDINO DO VALLE FILHO,
DEPUTADO FEDERAL, NA DÉCADA DE 20. 

APROVADA PELOS DEMAIS DEPUTADOS,
DECRETO 4867, SANCIONADO
EM 05 DE NOVEMBRO DE 1924,
PELO PRESIDENTE ARTHUR BERNARDES.

MAS, DE PRONTO, NINGUÉM COMEMOROU.

FOI SÓ A PARTIR DE 1960,
QUANDO A ESTRELA E A JOHNSON
E JOHNSON LANÇARAM A PROMOÇÃO
"SEMANA DO BEBÊ ROBUSTO",
QUE O 12 DE OUTUBRO
VIROU A DATA PARA COMEMORAÇÃO
DO DIA DAS CIANÇAS.

TODO O COMÉRCIO ACHOU BOM DEMAIS,
DE TANTO QUE LUCROU, COM O QUE VENDEU,
E, ASSIM, NO BRASIL, NUNCA MAIS,
DO DOZE DE OUTUBRO SE ESQUECEU.

(UM POUCO DE HISTÓRIA)


quinta-feira, 11 de junho de 2009

DIFÍCIL ALGUÉM SER CORAJOSO























E, CONSCIENTEMENTE, DIZER,
COMO DISSE PAULO CASTRO:
"SOU DE PEDIGREE 
ORGULHOSAMENTE DESASTROSO".



BOCA DA CRIANÇA
TÉRCIO STHAL

Era uma vez um pirulito doce
E uma criança feliz a chupar,
O pirulito doce de morango
Alguém tirou antes de acabar.

Tiraram o pirulito
Da boca da criança
E mesmo com o grito,
Foi-se a esperança.
Deram-lhe a chupeta
Para enganá-la,
Sem dó, nem piedade,
Obstruíram a sua fala.

Passou-se algum tempo,
Ela enxugou as lágrimas;
Mas, ao sabor do ventos,
Carrega em si, as mágoas.


domingo, 1 de fevereiro de 2009

QUEM NÃO SE FIZER COMO CRIANÇA



















NÃO PODE ENTRAR NO REINO DOS CÉUS.

(JESUS CRISTO)



BOLINHAS DE SABÃO
TÉRCIO STHAL

Pula, pula, cavalinho,
Cavalinho de madeira,
Mas não estoure as bolinhas de sabão.

Pula, pula, amarelinha.
Pula, pula, pula corda,
Pula bem alto até alcançar o balão.

"Cai, cai, balão,
Cai, cai, balão,
Bem aqui na minha mão.

Cai, cai, balão,
Cai, cai, balão,
Bem aqui na minha mão."

Corre, corre, ó carrinho,
Meu carrinho de latinha,
Mas não estoure as bolinhas de sabão.

Corra, freie e faça as curvas,
Corra, corra e chegue logo,
Nesta rua, neste espaço, neste chão.

"Se esta rua, se esta rua fosse minha,
Eu mandava, eu mandava ladrilhar,
Com belas e brilhantes pedrinhas,"
Para ver você, meu bem, nela passar.

Voa, voa, aviãozinho,
Aviãozinho de aço puro,
Mas não estoure as bolinhas de sabão.

Voe para além das nuvens,
Voe o mais alto que puder,
Voe até o Céu do Arco Íris e do balão.

"Quero ser um anjo,
Mas não tenho asas,
Então vou navegando
Nestas águas rasas."

"Ciranda, cirandinha,
Vamos todos cirandar,
Vamos dar a meia volta,
Meia volta vamos dar..."


VAMOS REUNIR A FAMÍLIA






























PARA ASSISTIR TV.
MAMÃE, PAPAI, FILHO, FILHA
SEM CONVERSAR, SÓ VER
E OUVIR CADA SOM DA TRILHA
DO SERIADO, DA NOVELA,
DO FILME, SEJA O QUE FOR.

SEM OLHAR PELA JANELA
NEM PASSAR NO CORREDOR,
PRA NINGUÉM PERDER NADA,
NENHUM LANCE SEQUER,
DE CADA TRAMA ENGENDRADA,
QUE AUDIÊNCIA REQUER.

(ESCRITORTERCIO)



TV CRIANÇA
TERCIO STHAL

O meu lindo brinquedo na TV
Corre, pula, brinca e dança,
Mas, na minha mão, veja você
Parece uma pequena criança.
O meu brinquedo é sempre assim:
Depende de mim, depende de mim!



BONECO DE VIDA CURTA
TÉRCIO STHAL

Boneco de Neve,
Bom brinquedo,
Inteiro me serve,
Floco sob floco.
Mas o Sol se atreve
a derretê-lo,
e até o vento leve
Em pé não quer vê-lo.



segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

AS UVAS QUE NÃO ALCANÇO,


























VERDES DEMAIS ESTÃO,
NÃO CAEM QUANDO BALANÇO,
SÃO BOAS PARA GROSSEIRÃO.

(TS - PARAFRASEANDO LA FONTAINE)



A VINDIMA
TÉRCIO STHAL

Aqui nos galhos mais baixos,
Os frutos de vez são apanhados,
Apanham todos, aos cachos,
Alguns deles caem no chão.
E ali, os deixam apodrecer,
Mesmo que os tenha derrubado.


Nos galhos bem mais altos
Os frutos bons amadurecem,
Precisamos estender os braços,
E estender também nossas mãos,
Para colhermos com sucesso
Os frutos que nos apetecem.


sexta-feira, 5 de dezembro de 2008

O TEMPO É COMO UM RIO































FORMADO PELOS EVENTOS,
UMA TORRENTE IMPETUOSA.
MAL SE AVISTA UMA COISA,
JÁ FOI ARREBATADA,
E OUTRA SE LHE SEGUE,
QUE, POR SUA VEZ,
SERÁ CARREGADA.

(MARCO AURÉLIO)



O TEMPO É AGORA
TÉRCIO STHAL

À minha frente, o menino
A se lançar no Mar
De ondas que vão e vem.

À minha volta, o menino
A explorar a Terra
De árvores que secam-se.

Em meu encalço, o menino
A deslumbrar no Céu
De sonhos que sobrevivem.

E eu ali, feito homem,
A olhar para as pedras
Que impedem o meu caminhar.

Mais adiante, o grandioso Mar
Com suas ondas a mover
E a remover as saudades.
Saudades de um tempo passado.

Sentado na pedra e a olhar
Eu, o homem, a escrever
Lentamente, amenidades.
O menino corre ao meu lado.

E ele pergunta: "O que tanto escreves?
Que mundo é este que olhas e que vês?"

E eu a ele respondo em tom grave,
Mas com voz embargada e suave,
É o teu futuro mundo menino,
O futuro que vejo é o teu!

Aproveite bem o tempo,
Aproveite bem o hoje, o agora,
Pois ele se vai com o vento
A cada minuto, a cada hora.

E feliz é o homem, menino,
Que quando criança viveu!


domingo, 24 de agosto de 2008

A VIRTUDE DO MENINO É O DESEJO

















E O SEU PAPEL, SONHAR...
MAS A VIRTUDE DO HOMEM É QUERER
E O SEU PAPEL, FAZER, REALIZAR...

(ORTEGA Y GASSET)



TODO HOMEM TRAZ
DENTRO DE SI
O MENINO QUE FOI.

(ANTOINE DE SAINT-EXUPÉRY)



O HOMEM TEM MÃOS (ATÉ)
PARA ALCANÇAR AS ESTRELAS,
MAS NÃO CONSEGUE ALCANÇAR
O MENINO ABANDONADO
DO OUTRO LADO DA RUA.

(IVONE BOECHAT)



TENHO A IDADE DE UM VELHO SÁBIO
DIVIDIDO POR UM HOMEM,
UM MENINO E UMA CRIANÇA.

(JON LEVI)



quinta-feira, 14 de agosto de 2008

BEM QUE MINHA VÓ PODERIA TER DITO,























MAS NÃO DISSE...

(ESCRITORTERCIO)



DIREITO E AVESSO
TÉRCIO STHAL

Se o alisamento
Da roupa for feito
Do lado direito:
Alisada está
Para os olhos
De quem vê.

E, ainda mais,
Para os olhos
Dos outros.

Entretanto,
O avesso cheio d
e pontos
E costuras:
É que vai servir
Para vestir os corpos 
Das criaturas.


quarta-feira, 6 de agosto de 2008

O MELHOR DO BRASIL É,






























COM CERTEZA, O SEU POVO.

(AUTOR DESCONHECIDO)



O MENINO DO DEDO TORTO
TÉRCIO STHAL


Dona Conceição tem seis filhos e já está vindo
o sétimo. Seus filhos são Jerusa, Jerônimo,
Josuel, Jesualdo, Jorge Luis e Joana.

É mês de Novembro, e nasce Jenilson. Forte,

moreno, bonito, alegre e com o dedo da mão
direita torto para a esquerda.

Fome e sede. Boca seca, olhos sem lágrimas,

choro mudo. O sol queima tanto a pele que
a faz parecer com o couro de crocodilo.

E vem o primeiro aniversário de Jenilson.

Ele não sabe andar, fala pouco, engatinha
e quase sempre coloca o dedo aonde não deve.
Quer comer, quer brincar, quer carinho.

Aos dezessete meses ele anda. Com as pernas curvas,

titubeando, com pés grandes e descalços,
aos trancos e barrancos. Derruba as vassouras
e as roupas do varal, puxa o rabo do gato,
atira pedras no cachorro e cava terra para comer.
Terra é o seu prato preferido.

Choveu!


Aos dois anos Jenilson enfia o dedo no nariz,

estala-o no canto da boca e, ao apontar para alguém,
produz gesto obsceno que provoca risos e deboches.
O dedo torto é sua marca pessoal, é o seu “xodó”,
o descobridor de curvas nunca dantes transitadas.

Aos seis anos de idade, após a chuva, Jenilson desaparece.

Todos estão preocupados, mas um tio dele sentencia:
“Este menino deve ter sido arrebatado, ochente!”

Maranguape toda procura por ele.

E a notícia de seu desaparecimento
já corre por todo o Estado do Ceará.

Antes disto era comum vê-lo, ao cair da tarde,

cavando a terra e apontando para o céu.
Parecia conversar com a lua e com as estrelas.

Fininha, a estrela alegre e esperta

de Interplanetária I, está levando Jenilson
para conhecer, de perto, o arco-íris.

Fininha gosta de contar histórias, algumas estórias

e segredos. Jenilson ouve cada uma delas atentamente.
Nada parece real, parece sonho, sonho de criança feliz.
Alguém já disse que “Infeliz é a criança que não sonha”.

Jenilson está agora acima das cores do arco-íris

e enxerga pequenas frestas, por onde vê o mundo todo
em toda a sua extensão, dimensão e comprimento.
Com seu dedo torto ele procura mel entre as cores,
entre as frestas do arco-íris. E corre, a pular de cor
em cor, admirado com tamanha beleza.

Com simplicidade e sotaque nordestino conversa

com os satélites, com as estrelas e com pequenos planetas.
Assim, fica sabendo de muita coisa interessante, inédita
e importante. Quando Jenilson chega em Interplanetária II,
começa sua aprendizagem escolar mais avançada.

Aos doze anos, de carona na cauda da estrela Geninha,

Jenilson vai em direção ao final do arco-íris,
vai em busca dos potes de ouro e de mel.

Chegando na Constelação Colíris Anuente, Geninha pára

e abastece sua luz interior. Colíris Anuente é linda,
está entre o cume do arco-íris e a linha do horizonte,
no princípio da descendente.

Geninha e Jenilson decidem ficar um tempo ali,

junto de outras estrelas cadentes e de crianças
curiosas e aventureiras, que sonham encontrar ouro e mel.

Sempre ouço dizer que “toda vez que uma estrela cadente

move-se no céu, existem crianças curiosas e aventureiras
viajando em sua cauda”. Talvez seja verdade.

Jerusa casou-se com um paulista e foi morar no sul do país.

Jerônimo, por ironia do destino, afogou-se
no Rio São Francisco. Josuel está namorando sua prima
Josefina, e casam-se daqui a um mês. Jesualdo trabalha
na Usina de Açúcar e do Álcool em Pernambuco.
Jorge e Joana brigam o tempo todo.

“Sêo” Chico Nonato, pai de Jenilson, morreu tísico.

Dona Conceição, aos 61 anos de idade, está ativa
nas Frentes de Trabalho do Governo.
Mas Jenilson já nem se lembra de seus pais,
nem de seus irmãos, nem do Ceará, nem das tardes
em que ficava a olhar o céu e as estrelas,
a esperar a chuva e o surgimento do arco-íris.

Em Colíris Anuente, Jenilson se destaca pelo seu sotaque,

seu jeito rude e seu dedo torto. Ali convivem nortistas,
nordestinos, judeus, turcos, africanos e ciganos.
Ali estão, também, ingleses, alemães, italianos,
paulistas, e gaúchos, entre outros.

Juvenil conta que sete anões espertos guardam

os potes de ouro e de mel. Ninguém consegue chegar perto.
Suas armadilhas são fatais. Israel fala sobre a arca
e o arco da aliança e sentencia: “O mundo não será destruído
pelas águas, nunca mais!”.

Histórias e estórias são contadas. As crianças se divertem.

Os astros, as estrelas e os asteróides ouvem atentamente
e sorriem aliviados.

Jenilson tem 14 anos. O céu está parcialmente nublado,

entretanto “o céu não é o limite!” Por todo lado Jenilson
e seus amigos veem rastos em direção ao final do arco-íris.

Descendo, veem caroços, cascas e sementes de frutos.
Há também marcas de patas de gatos e de cachorros,
além de favos de mel e pedras brilhantes de rara beleza.

Com as mochilas cheias de pedrinhas, eles caminham

enfrentando todo tipo de perigo. Estão dispostos a conhecer
a verdadeira história do arco-íris.

Com sede e pisando em terrenos escorregadios,

Jenilson pensa consigo mesmo: “apesar de tudo,
aqui é bem melhor do que no meu Ceará”.

Xavier grita: Ei pessoal, ali à direita tem uma floresta!

Juvenil diz: É um grande bosque! Heleninha lê a placa:
“Atenção, não se aproxime, aqui é o Horto dos Anões!
Perigo!!!”Vejam, então tudo é verdade, exclama Genebaldo".

Na porta está escrito: “Quer ir ao Horto dos Anões,

conheça primeiro o Planeta X!” Ao lado dela,
de uma mini-janela em recorte retangular, estátuas animadas
estão a dizer: “Dê o seu nome e aguarde.”

Curiosos, Jenilson e seus amigos aguardam. Querem conhecer

o Planeta X. Ao se abrir o portal, surgem os habitantes de X.
Os habitantes de X são pessoas diferentes, misteriosas,
estressadas, e de hábitos muito estranhos.

Ali, no Planeta X, o chefe deles é rude, usa termos chulos

no trato interpessoal e, correndo de lá para cá e de cá
para lá, de modo provocante, vive a arrumar intrigas. Ameaça
os seus comandados, destrata-os e os humilha, por prazer.

O interessante, porém, são as portentosas máquinas

que eles usam para filmar até os ossos e lançar raios
em todas as direções. Mas, tem um detalhe, os habitantes de X
usam corações de chumbo, para se defender das agressões
dos raios e do chefe.

Ao saírem do Planeta X, Jenilson e seus amigos são atacados

por centenas de abelhas barulhentas e comentam: “Se aqui
estão as abelhas, então existe o mel”.

A placa continua ali, advertindo: “Atenção, não se aproxime!

Aqui é o Horto dos Anões! Perigo!!!” E as abelhas atacam
cabeças e cabelos, um verdadeiro horror.

Atrás da placa, pode-se ler: “Ouro e mel, mel e ouro”.

Muitos querem entrar mesmo ouvindo gritos estridentes a dizer:
“Parem, não empurrem, aguardem a vez, você não foi chamado,
e se não tem paciência, vá embora, vá embora!”

Lá de dentro do Horto dos Anões os gritos são de desespero:

“Socorro! Não me machuque, está doendo! Vai quebrar!
Não me matem!” E, depois, saem engessados, em macas,
com parafusos pelo corpo e muletas, em cadeiras de rodas
e, quase sempre, chorando.

Amedrontados com o que viram, Jenilson e seus amigos

andam por entre as cores e frestas do arco-íris,
com as mochilas cheias de pedrinhas brilhantes,
até chegar em Colíris Anuente.

Ali, ouvem perguntas: “Por onde andaram? O que fizeram

este tempo todo? O que tem aí nessas mochilas?
E, respondendo uma a uma delas, satisfazem as curiosidades
e, de carona na cauda de brilhantes estrelas,
animados e felizes partem dali.

Aos dezesseis anos de idade Jenilson desce às margens

de um açude quase seco no interior do Ceará
e as pessoas admiradas perguntam:
“Aonde encontrou tanto ouro e tantas pedras preciosas!?”
E ele responde: “No arco-íris, ochente!”

Homem rico, Jenilson é respeitado por toda parte;

está famoso e conhecido em todo o Norte e em todo
o Nordeste do Brasil. Eleito Prefeito de Campos Sales,
é amigo de todos e cumpre o seu mandato
com reconhecida eficiência. Maranguape está orgulhosa
de seu filho.

Mas, “nem tudo são flores, nem tudo o que reluz é ouro,

nem tudo o que é doce, é mel!” Dona Maria da Conceição,
acometida de mal súbito, morre. Triste e desalentado,
Jenilson definha a olhos vistos.

Aos vinte e oito anos de idade, o menino do dedo torto

morre de infarto e deixa todos os seus bens
para os seus irmãos.

Todos os jornais do Norte e Nordeste estampam a notícia

em letras maiúsculas, em letras garrafais:
“O Brasil perde um grande homem,
o bom menino do dedo torto".

Não existem lenços suficientes para enxugar
tantas lágrimas.

E qualquer semelhança com a vida real,

pode ser mera coincidência.
É o fim.