(ESCRITORTERCIO)
PAIXÃO
TÉRCIO STHAL
Como se fosse um belo chamariz,
Mas fatal alçapão em labaredas,
Atrai ave incauta com seus ardis
E estratagemas que enredam.
Com vil ardor em complexa trama,
Em combustão a provocar o vício,
Incendeia a ação e gera o suplício,
A paixão que cada poro inflama.
Insensata e intransigente dama
Finge-se até de feliz e contente
Quando não há motivo para isso,
Usa todos e quaisquer artifícios
Para manter-se incandescente
A dominar mesa, banho e cama.
LUNÁTICO
TÉRCIO STHAL
Com a cabeça na lua e de pernas pro ar, sou demais,
Vejo a lua aos meus pés e eu firme de 'ponta cabeça',
Tateando o fogo quente e aspirando a fumaça espessa,
Com água no ouvido plugado ao som de mil metais,
Sedento e a lamber o cinzento chão que o cão pisou,
Com terra nos olhos sob o clarão de luzes multicores,
Comendo o pão que o cão não quis, só o que sobrou,
Cantando em alto e bom som o refrão de meus amores,
Para todo mundo ouvir sobre o que penso e o que sou,
Um lunático sem sequer beber o breve gole de cachaça,
Um poeta a falar sobre gente, sobre espinhos e flores,
Como se fosse linda gota de orvalho que seca e passa,
Como se fosse a brisa da manhã que veio e se dissipou,
Como se fosse o melhor jeito de suplantar suas dores.
ARTIFÍCIO
TÉRCIO STHAL
Impõe-se rígido, labrego,
O eu, eterno libertário,
Nesta chama, neste apego,
Insano, incendiário;
Atraído, e em plena queda,
Por paixão ardente, vício,
Neste alçapão em labaredas,
Eternização do suplício.
No ardor incandescente
Do produto em combustão,
ganha asas, voa, ama,
Em ação intransigente
Cada poro inflama
Em infame condução.


Nenhum comentário:
Postar um comentário