terça-feira, 13 de abril de 2010

ENQUANTO O SOL NÃO MOSTRAR O SEU BRILHO,
























ACENDAMOS UMA VELA NA ESCURIDÃO.

(CONFÚCIO)



CÍRCULO VICIOSO
TÉRCIO STHAL

Ao abstrair a vontade alheia, os princípios éticos e morais,
o conhecimento das regras, normas e leis, e a realidade
objetiva, o indivíduo capacita-se a formular juízos
de valor sobre o que é bom  e o que é mau, sobre o bem
e o mal, e a aceitar ou a se opor ao que lhe é proposto.

Levando em conta os sentimentos, emoções e razão
de foro íntimo, por subjetivação e exposição às forças
exteriores, toma conhecimento das configurações
de desobediências e respectivas punições, dos castigos
às transgressões, dos crimes e previstas penas, e passa
a avaliar e tornar frequentes as sentenças em processos de
validação.

E a indicar o caminho da formação racional
da vontade coletiva está a Teoria Normativa
do Direito e da Política que, por razão e vontade,
nos discursos ético-existenciais inserem atitudes
e comportamentos de construção e desconstrução
dos valores conceituais.

Manifestos, no contexto social, por interação,
assimilação e necessidade de adequação
ou de conformidade, cada indivíduo passa a ser
conduzido a um processo de anulação
de seus próprios princípios e valores
em detrimento do senso comum e de práticas
sociais pervertidas e sem conteúdo ético e moral,
que oportunizam, via corrupção ativa e passiva,
as propostas para obtenção de vantagens,
facilidades e comodidades a curto e médio prazos,
de caráter efêmero mas extremamente prejudicial.

Este cenário, onde a corrupção passa a ser
comportamento não aviltante, aceito ou aceitável,
onde quem prospera injusta ou desonestamente
é considerado como esperto, onde o ato
de validação do processo de corrupção é realizado
por voto em aberto e também nos processos
de escrutínio secreto, onde os sentimentos já não
importam, onde se aplaca as emoções subjetivas
e se rompe com a própria vontade interior, onde
se ofusca os justos juízos de valor, cada indivíduo
passa a agir a critério das razões externas, e vai
perdendo a noção do que é o bem e do que é mal,
e já não para sequer para pensar sobre o que é
bom e sobre o que é mau.

E então, desenha-se o círculo vicioso:

O Direito passa a fazer um esforço incomum para
não julgar os processos pelas capas.

A Política, por sua vez, a esforçar-se para prover
a garantia dos privilégios de políticos
e de seus apaniguados.

E o povo, com direito às esmolas e a ouvir
mirabolantes promessas de futuras realizações,
a validar o processo que garante, aos arautos 
da esperança, a manutenção do poder, da força
e da autoridade para o representar.


Um comentário:

J Araújo disse...

Tércio, passei por aqui. Percebi seu afastamento que total de meus blogs. Gostava muito quando vc dava aquelas alfinetadas que só vc sabe. Espero poder contar com seus comentários novamente.
abraço