domingo, 2 de setembro de 2018

RARO É O CRIMINOSO

QUE NÃO ALEGA SER INOCENTE,
QUE NÃO ENGANA A MUITA GENTE,
QUE NÃO SEJA ARDILOSO.
(ESCRITORTERCIO)


















O QUE FAZER?
TÉRCIO STHAL

Se chato e nulo não engulo,
o que fazer com o sapato que aperta
e com o calo que me dói?
E pra me manter alerta o que fazer
com os mitos e os heróis?




ALTA QUANTIA
TÉRCIO STHAL

Dia destes conheci um sujeito idiota,
que se dizia bacana e coisa e tal,
que batia no peito a fazer chacota
do poeta que lhe vendeu por Um Real,
um poema escrito no guardanapo.

É bom que fique sabendo, seu idiota,
que você não passa de um "ronca papo"
que representa mal seu papel em cena.
Você realmente me causa repulsa e pena!
Conta vantagem, mas nesta se deu mal!

Penso que Um Real não lhe faz falta,
afinal, não parece ser quantia alta.
Mas, pensando bem, certamente é!

Por Cem Reais eu sei que você compraria
os cem melhores poemas da Academia
e lhe sobraria troco para mais de um café.




PODE SER O QUE TE FALTA!
TÉRCIO STHAL

Quando calas alguém
que quer dizer algo
ficas sem o que
poderia acrescentar.

O que emerge
pode ser
o que te falta!

O que pouco te parece
pode ser bem maior
do que podes imaginar!

Se não ouves
o que se faz perto,
como ouvirás
o que está longe?




QUANTA SAUDADE
TÉRCIO STHAL

Quanta saudade
dos momentos em que
nossas mãos reconheciam
o valor de se juntarem.

Quanta saudade
dos momentos em que
nossos pés nos presenteavam
com passos firmes e seguros.

Quanta saudade
dos momentos em que
nossos olhos sem reservas nos viam
mostrando-nos sentidos e direções.

Quanta saudade
dos momentos em que
nossos pensamentos
e nossos corações juntavam-se


sem precisar da flecha do cupido.



PODER É PODER
TÉRCIO STHAL


Passa,
não passo.
Passo,
não passa.
Esfria,
não esfrio.
Esquenta,
não esquento.
Estorvo,
afugento.
Poder é poder?

Posso,
não poça.
Faço,
não fossa.
Forra,
não farra.
Garra,
não marra.
Chicote,
não chacota.
Poder é poder?

Quem pode,
pode?
Quem não pode,
Deus acuda?
Se ninguém muda

nada muda.
"Oh My God!"




NADO DE COSTAS,

SEM SABER NADAR,
COMO QUEM NADA TEM
A PERDER.
(ESCRITORTERCIO)





















QUEM VAI QUERER?
TÉRCIO STHAL

Do copo que cai no chão
e se quebra em pequenos pedaços,
quem vai querer guardar os cacos?

Da bala, a esmo deflagrada,
que traz fogo, dor, morte e fumaça,
quem vai querer guardar lembrança?

Do leite, vinho ou sangue derramado
no chão totalmente sujo e desprezado,
quem vai querer saborear?




PREFIRO O SOM
TÉRCIO STHAL

Ainda que
o silêncio valha ouro,
prefiro ouvir, falar,
gritar e dizer,
do que enriquecer.

Ainda que
a palavra seja ruído,
prefiro o som
que perturbe o ser,
do que ensurdecer.




NOS BRAÇOS DO NADA
TÉRCIO STHAL

Nos braços do dia
uma noite inventada
esconde o esplendor
da luz do Sol.

Nos braços da noite
um dia inventado
apesar da escuridão
furta o sono.

Nada que abrace.
Nada que acolha.
Nada que conforte.
Corpo não descansa.

Alma sucumbe.



EM TERRA DE NINGUÉM
TÉRCIO STHAL


Em terra de ninguém
nem cavalos,
nem cavaleiros.
Campos ou desertos
inexplorados.

Em terra de ninguém
nada na pauta.
Nenhuma ideia.
Dias e noites
que não são lembrados.

Dos nascidos vivos,
se houverem,
nenhuma notícia se tem.

Em terra de ninguém
Tudo permanece incógnita
como se estivessem
nos livros ainda não escritos,

escondidos ou guardados.





sábado, 1 de setembro de 2018

A ÁGUA DO RIO INCORPORADA

ÀS ÁGUAS DO MAR PROFUNDO
CERTAMENTE FICA MARAVILHADA
POR CONHECER NOVO MUNDO.
(ESCRITORTERCIO)





















PRÍNCIPE OU SAPO?
TÉRCIO STHAL

Montado no cavalinho
de cabo curto
voava até as estrelas
por entre as nuvens.

Rodando o guarda-chuva
em tempo seco
dançava com pés de gelo
nas asas da imaginação.

Sapo feio sem espelho
pedindo beijos.
Príncipe sem estirpe,
só com cara e coragem.




DIANTE DO PATÍBULO
TÉRCIO STHAL

Assim que a mão do carrasco 
fez o serviço encomendado,


cabeça pra um e corpo pra outro lado,
findaram-se quase todas as lamentações 
das viúvas e dos amigos órfãos,

mas vieram velhas e novas ladainhas,
por dias e noites, por anos a fio,
estendendo-se para além das marcas e das linhas.

Do ser sobrou apenas a máscara.
Pernas bambas, braços soltos,
que não dizem o sentido, nem a direção.

Olhar imóvel e sem brilho:
Nenhuma lágrima.
Nenhuma expressão.

Aqui, ali, além ou mais adiante,
algum sofrimento camuflado,
alguma represada lamentação.



SE NÃO DISSERAM, EU DIGO!
TÉRCIO STHAL


Disseram que disse
Zoroastro ou Zaratustra,
mas se ele não disse,
digo agora:

- Chega de discursos e debates vazios,
chega de defesas de teses
sem nenhuma comprovação.

Disseram que disse
Nostradamus ou Michel de Nostredame,
mas se ele não disse,
digo eu:

- As botas lustradas encontram-se sujas,
as patas dos cavalos estão atoladas,
os Jipes e os Caminhões com lama até o teto

e os Soldados rasos e os xucros entregam-se 
dia e noite nos estábulos.







SALTO DAS NUVENS

QUANDO QUERO O CÉU
OU QUANDO QUERO O CHÃO.
(ESCRITORTERCIO)




















QUE NEM TUDO PASSE
TÉRCIO STHAL

Passa o trem fantasma,
passa também o mau agouro.
Passa o efeito de cada bomba
logo depois de cada estouro.

Das juras de amor eterno

somem o mel, a prata e o ouro.
No umbigo de outrora,

agora, sobra o mais grosso couro.


Tem o toureiro e a plateia 
querendo cansar o touro.
Permanece a ignorância
sobre o tempo vindouro.

Será que há luz no fim do túnel 
ou pelo menos um mapa do tesouro.
Que a esperança e o sorriso 
nos rosto sejam imorredouros.



QUEM VAI PAGAR O PATO?
TÉRCIO STHAL

Por todo o país 
o povo cansado de ser tratado
como "gato e sapato".

Poetas nos jardins
falam de flores e de espinhos:
Imagens, fotos e retratos.


Loucos gritam nas Praças:
O Rei está completamente nu!


Sua cabeça será servida no prato.


"Bobos da Corte" riem,
encenando cada ato:
Nem insanos, nem insensatos.

Às vezes o Rei sai do sério:
Onde está o meu desjejum?
Alguém vai pagar o pato.

Na Corte estronda um grito:
Não há mais o que fazer! 
Nossa! Como o povo é ingrato.



NOS TEMPOS E ESPAÇOS VAZIOS
TÉRCIO STHAL

Nos tempos e espaços 
vazios de realidade
 
assentam-se
e balançam as cadeiras

as lembranças
e a saudade.



SINCERO
TÉRCIO STHAL

Sem cera e sério.
Sem cerimônia.
Sincero.

Copo que se diverte
quando verte e seca
a última gota.

Da mais valia
o que menos vale
escoa pelo ralo.

De tudo, sobra:
Nada mais, nem menos,
do que o essencial.