domingo, 13 de janeiro de 2019

A VIDA É MAIS

A vida é mais
do que se tem e se vê 
pelas portas e janelas.
É mais do que 
horizontes e expectativas.

A vida é mais
do que a mesa posta,
do que o aceno,
do que o pão e o vinho 
que se degusta.

A vida é mais
do que promessa descumprida
e muito mais do que 
o cumprimento da promessa.

A vida é mais
do que a chegada
e a partida do trem,
no horário necessário,
programado ou não.

A vida é mais
do que luz ou fogo  de vela acesa.
É mais do que o vento
no rosto a refrescar.

A vida é mais 
do que fogo aceso ou apagado.  
É mais do que a espera do trem,
mesmo quando 
ele demora pra passar.

(ESCRITORTERCIO)


🔎📌🔍📍🔎🎈🔎




QUAL O SEGREDO DA VIDA?

TÉRCIO STHAL


A vida pode e deve ser
a junção de todas as cores,
todos os sons, tons e sabores,
estórias, histórias e valores.

A vida não pode e nem deve ser
apenas um jogo de faz de conta
ou simplesmente um conto de fadas.

Nada pode e nem deve ser simples
tanto quanto possa parecer.

Tudo pode ser
bem mais do que
azar, acaso e sina.
Bem mais do que
se pensa e imagina.

O segredo da vida
pode estar em saber
quanto pode e deve ser 
o suficiente.







PARA SER FELIZ

TÉRCIO STHAL


Solta a lã do novelo,
cose como quem
sabe o que faz,
agulha e linha,
ponto por ponto
no tempo e espaço
que bem satisfaz.

Solta a linha do novelo.
Tece para além da vida.
Caminha.

Solta a lã do novelo
como quem sabe o que faz.
Solta a lã do novelo
como quem sabe o que diz.
Solta a lã do novelo
como quem sabe bem mais.

Solta a lã do novelo
como quem quer 
e pode ser feliz.




VERSOS LIVRES
TÉRCIO STHAL

Pelas frestas de
qualquer tempo e de
um tempo qualquer
voam os meus versos,
como nuvens levadas
pelos ventos.

Ora ovos, ora bicos,
ora asas, ora bocas,
mãos, pés, salivação,
signos, sangue e suor,
para além de
mera contemplação.

Terra marrom e nuvens
nos Céus e Mares azuis.
Açúcar e sal a compor
o sabor agridoce das
lágrimas eventuais.

Ora sorrisos e alegrias.
Ora a tristeza do choro.
Ora devaneios e provocação.
Ora beijos e abraços.

Ora veneno, ora antídoto.
Viajando como quem degusta
e recomenda compartilhar.

Ora flores, ora espinhos.
Ora naufrágio, ora salvação anunciada.
Ora estrada sem algum sentido.
Ora caminho seguro pra seguir.

Ora ritmo e métrica bem delineados,
musicalidade e rima perfeita.
Ora liberdade pra dizer ou não,
sem se preocupar com estilo,
técnica, nem modo de composição.

Ora livre para desenhar combustão.
Ora bombeiro para apagar o fogo.
Ora avaliando perdas e danos.

Ora invadindo os escombros,
para rescaldar por entre as cinzas,
em meio ao carvão e a fumaça
de coisas, carne e ossos decompostos.

Meus versos são
como fogo da alma
que se expande e se solta.

Meus versos vão
livres no ar
de um tempo qualquer
e de qualquer tempo,
como nuvens levadas
pelo vento.




MUITO ESTRANHO
TÉRCIO STHAL

Era mais estranho do que
um leão feroz no aeroporto,
uma corça bebendo cachaça ou
uma águia nadando no lago sujo.

Era mais estranho do que
um carneiro a uivar para a lua,
um camelo listrado como zebra ou
um elefante rabicó e subnutrido.

Era mais estranho do que
a imaginação e a vã filosofia
pudessem supor e delinear.
Era como um gambá sem fedor.

Era um cara muito estranho
e restava a impressão
de que ele gastava o seu latim
completamente em vão.



sábado, 29 de dezembro de 2018

MORRIA ATÉ O GATO,

QUE SETE VIDAS TINHA.
NA VELOCIDADE DO SHOW DANÇAVAM 
TRAPEZISTAS E BAILARINOS.
E AS CIGARRAS CANTAVAM
ATÉ O PEITO ESTOURAR.
NA LATENTE TRANSITORIEDADE
PASSAVAM OS SERES 
E SUAS REPRESENTAÇÕES.
(ESCRITOR TÉRCIO)


















NEM PAPAGAIO DE PIRATA
TÉRCIO STHAL


No meu ombro nem
papagaio de pirata,
do estouro da boiada
não quero ver nem 
o "poeirão".

Salte pelas janelas.
Salve-se quem puder.
Serrar grades é
sempre mais difícil.

No meu ombro não levo
nenhum papagaio de pirata.
E Deus me livre
das velhas raposas
e das galinhas chocas
que cuidam dos ninhos
com ovos de ouro de tolo.

Se jorrar o petróleo do poço
que não se repita, nem persista,
os escândalos nas repartições.

No meu ombro não carrego
nenhum papagaio de pirata,
não sou poleiro de pombos,
tampouco de pardais.
Da partitura só me interessa ouvir
cânticos livres e originais.

Sou poeta, mas não trago
no bolso a carteirinha para provar,
nem para apresentar como álibi.

No meu ombro não pia
nenhum papagaio de pirata.
Sou poeta guerreiro,
um menino a pular cordas
e a andar de cavalinho de madeira.

Um menino a rodar pião, 
a soltar barquinhos na enxurrada
e a brincar de pega-pega 
como cabra-cega.

Sou "cirandeiro", 
vem comigo cirandar.
Também sei esquadrinhar estórias,
como quem prepara algo para degustar.
Minha cara e coragem é a minha honra
e o meu presente faço questão de desenhar.

No meu ombro não carrego 
"mulambos," nem saco de ossos.
O meu trem não pode parar,
ainda que eu precise embaralhar
as palavras como vagões,
o meu quebra-cabeça vou resolver.
Meu trem não pode parar!
Ainda que eu precise 
reinventar cada uma das rodas 
do meu trem,
todas as rodas do meu trem
tem que rodar.

Não.
Não quero ter cara,
nem máscara
de peixe fisgado pelo anzol
e no meu ombro
jamais transportarei
algo que não valha a pena.

No meu ombro não.
No meu não.
Papagaio de pirata

nunca hei de carregar.






MEU LUGAR SEGURO
TÉRCIO STHAL



Tenho comigo os meus animais
e os meus objetos de estimação,
para eles ofereço lugar seguro,
amor, ternura e dedicação.
Chamo cada um
por seu próprio nome.
Cada um por seu
nome próprio.

No dia a dia
não falta poesia
para compor
novos poemas.

Tenho comigo os meus animais
e os meus objetos de estimação.
Trago comigo a ideia de que
os conheço muito bem
e eles imaginam que
me conhecem, também.

No dia a dia
não falta poesia
para compor
novos poemas.




"...NINGUÉM É JAMAIS UM PRÓPRIO:

NÓS TODOS SOMOS UM SÓ SE CHAMAM.
E TODOS EM SI NOS SOMOS
QUAL PARTE QUE SE REPARTE E É UNA:
A LARANJA E OS GOMOS..."
(LEONARDO FRÓES)




















CANTAROLANDO
TÉRCIO STHAL

Depois que tirei o terno
do meu corpo
e vesti esta camiseta
sem mangas,
saí do festival de caça
aos pombos
e olhei para as montanhas
sentindo o cheiro de verde no ar.

Depois que saí
das mesas platinadas
e das longas conversas
ao telefone,
me vi em saborosos "drinks"
de boa sorte,
entre amigos dispostos
a anoitecer e amanhecer juntos.

Ao som de um violão,
cantarolando,
a vida entre amigos
com amor e esperança.



DURA REALIDADE
TÉRCIO STHAL

Chora o poeta 
sem reconhecimento,
mas o "perna de pau
e mão de gancho," 
pirateando,
faz fortuna.

Os visionários 
e os de espúria cultura 
são pendurados no varal
sob sol causticante
até quarar o globo ocular.

Depois de muitas doses 
de cerveja, rum, 
vermute e vinho,
como fugir do calor vespertino 
e do trem que sai dos trilhos?








OLHAR DE PEIXE VIVO
TÉRCIO STHAL


Tem sempre alguém 
fisgado no anzol,
com jeitão de peixe frito,
com olhos esbugalhados, 
como quem não quer morrer,

como quem não quer uvas verdes,
mas também não conhece as maduras,
como quem, da realidade,
consegue ver apenas prévias molduras,
como girafa de perna quebrada
ou como artista que se acostuma
e se acomoda em viver sob censura.

Por ter medo de viver solto no pasto
e sofrer as intempéries e agruras,
morde a isca e engole de vez o anzol
que um breve repasto lhe assegura.